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Costa Brava, na Espanha, um refúgio de verão

Mediterrâneos sempre foram habituados a invasões, desde os vikings aos mouros e, mais recentemente, ingleses e alemães. E nessa nada mole onda bárbara que erode suas praias todos os anos, são os espanhóis que mais têm sofrido com a presença massiva de turistas em busca de um lugar ao sol e uma mesa à sombra. Plano de fuga existe e eles sabem para onde e como fugir. Costa Brava é a direção, a menos de duas horas de Barcelona, onde o mar e a montanha se fundem e escondem pequenos segredos naturais à prova de lotação.

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Timing é fundamental: pense em uma semana para a road trip correr nos trilhos sem a sensação de perder tempo demais ou de menos. A partir da capital catalã, siga no sentido norte pelo litoral para explorar os pueblos medievais. O mar dá um banho na Côte d’Azur. Aliás, o azul aqui é a cor mais quente, apesar da água fria, e ganha tons que a Pantone ainda não decifrou.

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Comece por Calella de Palafrugell e Llafranc, e continue para Aigua-Xelida, Aiguablava, Sa Tuna, Aiguafreda – onde está o restaurante Sa Rascassa e sua imperdível salada de tomates com ventresca de atum – até Cap de Creus. Há beleza interior também, com vilarejos de pedra onde o tempo e o vento correm na contramão da civilização. Pela estrada adentro, surgem joias como os cascos históricos de Begur, Pals e Peratallada.

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A caminho de seu hotel, vale parar para ver as tendinhas de Palamós, onde está a Venimdelblau e suas peças de algodão cru para casa, e as cerâmicas de La Bisbal d’Empordà: procure pela lojinha de Annick Galimont, na Carrer Aigüeta. À noite, a parada obrigatória é jantar no hotel Mas de Torrent, com assessoria gastronômica de Fina Puigdevall, chef do Le Cols d’Olot, o dois estrelas Michelin que faz de Girona, não muito longe dali, um dos mais importantes epicentros gourmet da Espanha depois de San Sebastián.

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Enfim, o fim do caminho. Quase na divisa com a França, as duas cidades-chave da Costa Brava: Figueres e Cadaqués. A primeira, terra natal de Salvador Dalí, onde está um museu e a fundação que leva seu nome, um edifício cheio de códigos surrealistas, com ovos e pães gigantes coroando a fachada, projetado pelo próprio. Já Cadaqués, antigo refúgio do artista (de Picasso, Duchamp e Miró também), é impressionista de tão colorida, delicada, romântica.

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Ruelas, casinhas, barquinhos, buganvílias, gatos, muitos, vagabundos, à espera da féria do dia que sai das cozinhas incríveis dos restaurantes locais, abastecidos diariamente dos mais frescos frutos do mar, parte vital dos menus que o mundo conheceu a partir de Ferran Adrià, chef do estrelado (e já fechado) El Bulli, ali na região, eleito por cinco anos o melhor do planeta. Hoje, quem domina a cena é um de seus contemporâneos, Mateu Casañas, à frente do restaurante Compartir e inventor das famosas azeitonas esféricas, aquelas que explodem na boca – uma obra-prima da cozinha molecular que só poderia ter nascido em solo fértil para surrealismos de todas as formas.

Fonte: Casa Vogue

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